PACTO NACIONAL PELO
FORTALECIMENTO DO ENSINO MÉDIO
FORMAÇÃO CONTINUADA DE
PROFESSORES E COORDENADORES PEDAGÓGICOS
REGISTRO DE ATIVIDADE COLETIVA
(CARGA HORÁRIA PRESENCIAL: 4
HORAS)
ESCOLA ESTADUAL CORONEL OSCAR PRADOS MUNICÍPIO: SÃO GOTARDO SRE: PATOS DE MINAS
ORIENTADORA DE ESTUDO: RITA DE CÁSSIA VASCONCELOS CPF: 08920208654
ETAPA 1
- MÊS: OUTUBRO Data: 30/10/2014
Caderno No: 02
Campo temático: O jovem como
sujeito do Ensino Médio
Após
fazer a leitura, refletir e discutir sobre as cartas dos alunos das turmas: 3º
ano 2 (noturno), 2º ano 3, 1º ano 2 e 9º ano 7, em resposta à carta criada
pelos professores no encontro anterior, o grupo concluiu:
·
Sobre a relação
dos alunos com a internet:
Eles não se
consideram “viciados”, não acham que ficam muito tempo na internet, e também
não veem isso como algo que atrapalhe os estudos. Poucos deles dizem usar a rede como
ferramenta de estudo, dizem “mexer” mais em redes sociais.
Para os professores os alunos não têm a
percepção de quanto tempo passam na internet, parece que a rede se tornou uma
extensão do mundo real, é como se fosse uma praça, a casa de um amigo, a rua. A
vida virtual e a vida real são uma só. Isso, na verdade, é o reflexo do que se
vê na sociedade. Os professores acreditam ser necessário promover uma
discussão, reflexão sobre o uso consciente da internet.
Não acreditamos
que seja possível mudar totalmente a postura dos alunos, mas conversar sobre o
assunto pode ajudá-los a ter percepção sobre o quão grande é o tempo dispensado
na rede, na maioria das vezes, de forma fútil, aleatória e inoperante.
Os professores
consideraram que fazer um questionário sobre a relação dos estudantes com a
internet seria uma estratégia melhor para fazer um diagnóstico mais preciso da
situação, baseado em dados mais detalhados, porque a carta ficou muito
abrangente. Isso poderia ser feito dentro do planejamento da escola.
·
Sobre a relação
dos alunos com o trabalho:
O grupo observou que os motivos que levam os jovens a
trabalharem ainda em idade escolar são: para ajudar os pais, para comprar suas
próprias coisas, ter independência, ter referência profissional.
A maioria não considera que o trabalho atrapalha a vida
escolar, mas que o sexto horário sim os prejudica.
Os professores creem que o problema não é o sexto horário em
si, mas o fato de a proposta do Reinventando o Ensino Médio ter sido feita de
forma inesperada, e sem preparação antecipada do aluno e do professor.
Também houve resistência por parte da Superintendência de
Ensino e Prefeitura quanto ao transporte escolar, o que prejudica ainda mais
uma boa parte dos alunos participantes do projeto.
·
Sobre os
projetos de vida dos alunos:
Sobre os projetos de vida, basicamente os alunos querem se
casar, ter filhos, arrumar bons empregos, alguns dizem querer fazer faculdade,
mas têm dúvidas sobre qual curso. Eles parecem se importar mais em arrumar um
bom emprego e do que em fazer um curso superior.
É importante, portanto, a escola colocar em seu projeto pedagógico,
já desde o primeiro ano do ensino médio, estratégias como: visitas a
universidades e empresas para conhecer o cotidiano de diferentes cursos;
palestras; seminários; workshops; testes vocacionais; oficinas com amostras de
cursos preparadas pelos alunos; visitas culturais para socializar e enriquecer
o conhecimento de mundo.
Observou-se também que muitos dos projetos de vida, desejos
dos alunos são utópicos como, por exemplo, ser jogador de futebol, ter um carro
rosa, fazer faculdade de medicina mesmo não gostando de estudar. Isso revela
imaturidade e que eles não têm uma visão ampla, coerente e realista sobre os
seus desejos, projetos. Além disso, grande parte não tem estrutura familiar que
ofereça orientação para as escolhas profissionais e sociais.
·
Sobre as
opiniões e expectativas dos alunos com relação à escola:
Os alunos fazem
várias críticas aos professores como: excesso de atividades/exercícios e falta
de explicação dos conteúdos; consideram alguns profissionais preguiçosos e que
alguns são despreparados; outros levam seus problemas pessoais para sala de
aula e descontam sua raiva nos alunos, e há também aqueles que “puxam o saco”
de alguns alunos.
No entanto,
segundo os relatos, a relação entre professores e alunos, de forma geral, é
amigável. Eles parecem gostar dos educadores. Os conflitos mencionados são
esporádicos. Os meninos fazem elogios sobre o esforço e dedicação dos
professores.
Os professores
concordam que há a necessidade de repensar nossa postura, nossas práticas
porque, muitas vezes, pensamos estar fazendo o melhor, mas na verdade não está
sendo eficaz.
Sobre a escola
os alunos também fazem criticas: salas de vídeo e laboratório de informática que
não são usados com frequência; o sexto horário é empecilho ao trabalho.
Mas algumas
críticas, ou vontades dos alunos fogem da realidade. Eles dizem querer que a
aula comece mais tarde, que o recreio seja maior, que os alunos tenham acesso
livre à internet e tablets substituindo os livros.
Sobre a pouca
utilização de outros ambientes na escola, bem como de ferramentas tecnológicas,
os professores acreditam que os equipamentos não são suficientes, vários estão
quebrados. Sobre a sala de vídeo, é complicado deslocar os alunos da sala de
aula porque se desperdiça muito tempo, além disso, a escola é muito grande e só
tem uma sala de vídeo, então fica difícil de todos poderem agendar a utilização
da mesma, então seria importante a escola ter mais equipamentos.
·
Outras
considerações importantes:
Uma das cartas dos alunos sensibilizou a todos os
professores, deixou-nos arrepiados. O aluno fez um verdadeiro desabafo dizendo
que o seu jeito alegre de agir na verdade é uma espécie de máscara para
disfarçar sua tristeza interior, sua frustração. Ele ainda disse que era um bom
aluno até a oitava série, mas depois disso tudo desandou e ele se tornou um
péssimo aluno. Ele tem consciência de que precisa melhorar, mas pede ajuda, ele
diz que sozinho não consegue. Foi um pedido de socorro. Os professores
concordaram que sem a carta não teríamos como saber tudo isso sobre esse
menino. Agora vamos buscar alguma maneira de ajudá-lo.
Os alunos também falaram bastante sobre sua relação com as
famílias. Nos depoimentos disseram sentir falta de atenção e carinho, e que os
problemas familiares interferem em seu desempenho escolar. Consideramos que o
que a escola pode fazer nesse sentido é encaminhar os casos mais gritantes para
obter ajuda especializada: psicólogo, assistência social, conselho tutelar.
No entanto alguns parecem ter uma boa relação com os pais que
os aconselham a prosseguir com os estudos.
·
Sobre a
importância desse diálogo entre professores e alunos:
Em várias cartas os alunos disseram ter gostado de
escrevê-la porque ficaram felizes em poder se expressar, dar sua opinião,
desabafar, se aproximar dos professores mais como amigos, e estabelecer esse
diálogo. Disseram que a carta é uma demonstração de que o professor se importa
com eles.
Quanto aos professores, achamos que a atividade com as
cartas foi muita rica e produtiva, uma vez que aproximou-nos, dos alunos e foi
esclarecedora sobre a opinião dos meninos sobre nós.
Foi interessante também perceber que os alunos não têm uma
visão totalmente negativa da escola, eles têm consciência de sua importância, e
as críticas que eles fizeram são, em sua maioria, construtivas.
·
Sobre como
todas essas informações irão contribuir para a materialização da proposta de
Universalização do Ensino Médio
Conhecendo o aluno real, temos a possibilidade de melhorar
nossa forma de pensar e agir dentro da sala de aula para que tenhamos a
oportunidade de promover um aprendizado produtivo, significativo, preparando
melhor nossas aulas, projetos para despertar o interesse dos alunos em direção
ao conhecimento. Dessa forma espera-se que o aluno passe a gostar de aprender.
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