quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Relatório coletivo sobre as cartas dos alunos



PACTO NACIONAL PELO FORTALECIMENTO DO ENSINO MÉDIO
FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES E COORDENADORES PEDAGÓGICOS

 REGISTRO DE ATIVIDADE COLETIVA
(CARGA HORÁRIA PRESENCIAL: 4 HORAS)

ESCOLA ESTADUAL CORONEL OSCAR PRADOS        MUNICÍPIO: SÃO GOTARDO           SRE: PATOS DE MINAS
ORIENTADORA DE ESTUDO: RITA DE CÁSSIA VASCONCELOS CPF: 08920208654

ETAPA 1 - MÊS: OUTUBRO                        Data: 30/10/2014

Caderno No: 02           Campo temático: O jovem como sujeito do Ensino Médio

Após fazer a leitura, refletir e discutir sobre as cartas dos alunos das turmas: 3º ano 2 (noturno), 2º ano 3, 1º ano 2 e 9º ano 7, em resposta à carta criada pelos professores no encontro anterior, o grupo concluiu:

·                    Sobre a relação dos alunos com a internet:
Eles não se consideram “viciados”, não acham que ficam muito tempo na internet, e também não veem isso como algo que atrapalhe os estudos.  Poucos deles dizem usar a rede como ferramenta de estudo, dizem “mexer” mais em redes sociais.
 Para os professores os alunos não têm a percepção de quanto tempo passam na internet, parece que a rede se tornou uma extensão do mundo real, é como se fosse uma praça, a casa de um amigo, a rua. A vida virtual e a vida real são uma só. Isso, na verdade, é o reflexo do que se vê na sociedade. Os professores acreditam ser necessário promover uma discussão, reflexão sobre o uso consciente da internet.
Não acreditamos que seja possível mudar totalmente a postura dos alunos, mas conversar sobre o assunto pode ajudá-los a ter percepção sobre o quão grande é o tempo dispensado na rede, na maioria das vezes, de forma fútil, aleatória e inoperante.
Os professores consideraram que fazer um questionário sobre a relação dos estudantes com a internet seria uma estratégia melhor para fazer um diagnóstico mais preciso da situação, baseado em dados mais detalhados, porque a carta ficou muito abrangente. Isso poderia ser feito dentro do planejamento da escola.


·                    Sobre a relação dos alunos com o trabalho:
O grupo observou que os motivos que levam os jovens a trabalharem ainda em idade escolar são: para ajudar os pais, para comprar suas próprias coisas, ter independência, ter referência profissional.
A maioria não considera que o trabalho atrapalha a vida escolar, mas que o sexto horário sim os prejudica.
Os professores creem que o problema não é o sexto horário em si, mas o fato de a proposta do Reinventando o Ensino Médio ter sido feita de forma inesperada, e sem preparação antecipada do aluno e do professor.
Também houve resistência por parte da Superintendência de Ensino e Prefeitura quanto ao transporte escolar, o que prejudica ainda mais uma boa parte dos alunos participantes do projeto.

·                    Sobre os projetos de vida dos alunos:
Sobre os projetos de vida, basicamente os alunos querem se casar, ter filhos, arrumar bons empregos, alguns dizem querer fazer faculdade, mas têm dúvidas sobre qual curso. Eles parecem se importar mais em arrumar um bom emprego e do que em fazer um curso superior.
É importante, portanto, a escola colocar em seu projeto pedagógico, já desde o primeiro ano do ensino médio, estratégias como: visitas a universidades e empresas para conhecer o cotidiano de diferentes cursos; palestras; seminários; workshops; testes vocacionais; oficinas com amostras de cursos preparadas pelos alunos; visitas culturais para socializar e enriquecer o conhecimento de mundo.
Observou-se também que muitos dos projetos de vida, desejos dos alunos são utópicos como, por exemplo, ser jogador de futebol, ter um carro rosa, fazer faculdade de medicina mesmo não gostando de estudar. Isso revela imaturidade e que eles não têm uma visão ampla, coerente e realista sobre os seus desejos, projetos. Além disso, grande parte não tem estrutura familiar que ofereça orientação para as escolhas profissionais e sociais.

·                    Sobre as opiniões e expectativas dos alunos com relação à escola:
Os alunos fazem várias críticas aos professores como: excesso de atividades/exercícios e falta de explicação dos conteúdos; consideram alguns profissionais preguiçosos e que alguns são despreparados; outros levam seus problemas pessoais para sala de aula e descontam sua raiva nos alunos, e há também aqueles que “puxam o saco” de alguns alunos.
No entanto, segundo os relatos, a relação entre professores e alunos, de forma geral, é amigável. Eles parecem gostar dos educadores. Os conflitos mencionados são esporádicos. Os meninos fazem elogios sobre o esforço e dedicação dos professores.
Os professores concordam que há a necessidade de repensar nossa postura, nossas práticas porque, muitas vezes, pensamos estar fazendo o melhor, mas na verdade não está sendo eficaz.
Sobre a escola os alunos também fazem criticas: salas de vídeo e laboratório de informática que não são usados com frequência; o sexto horário é empecilho ao trabalho.
Mas algumas críticas, ou vontades dos alunos fogem da realidade. Eles dizem querer que a aula comece mais tarde, que o recreio seja maior, que os alunos tenham acesso livre à internet e tablets substituindo os livros.
Sobre a pouca utilização de outros ambientes na escola, bem como de ferramentas tecnológicas, os professores acreditam que os equipamentos não são suficientes, vários estão quebrados. Sobre a sala de vídeo, é complicado deslocar os alunos da sala de aula porque se desperdiça muito tempo, além disso, a escola é muito grande e só tem uma sala de vídeo, então fica difícil de todos poderem agendar a utilização da mesma, então seria importante a escola ter mais equipamentos.

·                    Outras considerações importantes:
Uma das cartas dos alunos sensibilizou a todos os professores, deixou-nos arrepiados. O aluno fez um verdadeiro desabafo dizendo que o seu jeito alegre de agir na verdade é uma espécie de máscara para disfarçar sua tristeza interior, sua frustração. Ele ainda disse que era um bom aluno até a oitava série, mas depois disso tudo desandou e ele se tornou um péssimo aluno. Ele tem consciência de que precisa melhorar, mas pede ajuda, ele diz que sozinho não consegue. Foi um pedido de socorro. Os professores concordaram que sem a carta não teríamos como saber tudo isso sobre esse menino. Agora vamos buscar alguma maneira de ajudá-lo.
Os alunos também falaram bastante sobre sua relação com as famílias. Nos depoimentos disseram sentir falta de atenção e carinho, e que os problemas familiares interferem em seu desempenho escolar. Consideramos que o que a escola pode fazer nesse sentido é encaminhar os casos mais gritantes para obter ajuda especializada: psicólogo, assistência social, conselho tutelar.
No entanto alguns parecem ter uma boa relação com os pais que os aconselham a prosseguir com os estudos.

·                    Sobre a importância desse diálogo entre professores e alunos:
Em várias cartas os alunos disseram ter gostado de escrevê-la porque ficaram felizes em poder se expressar, dar sua opinião, desabafar, se aproximar dos professores mais como amigos, e estabelecer esse diálogo. Disseram que a carta é uma demonstração de que o professor se importa com eles.
Quanto aos professores, achamos que a atividade com as cartas foi muita rica e produtiva, uma vez que aproximou-nos, dos alunos e foi esclarecedora sobre a opinião dos meninos sobre nós.
Foi interessante também perceber que os alunos não têm uma visão totalmente negativa da escola, eles têm consciência de sua importância, e as críticas que eles fizeram são, em sua maioria, construtivas.

·                    Sobre como todas essas informações irão contribuir para a materialização da proposta de Universalização do Ensino Médio
Conhecendo o aluno real, temos a possibilidade de melhorar nossa forma de pensar e agir dentro da sala de aula para que tenhamos a oportunidade de promover um aprendizado produtivo, significativo, preparando melhor nossas aulas, projetos para despertar o interesse dos alunos em direção ao conhecimento. Dessa forma espera-se que o aluno passe a gostar de aprender.

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